Tenho o coração quebrado. Note-se que eu escrevi quebrado, não partido. Já partiu, voltei a colar mas, ao contrário do que eu acreditava - que estava concertado sem ponta de cicatriz - está rachado, com pequenas marcas aqui e acolá.
Tento-me convencer que já ultrapassei as mágoas destes meses, as tristezas e histórias más e a falta das pessoas que me fizeram sofrer nos últimos tempos. Minto a mim própria porque, na hora da verdade, sinto-me sempre mal ao lembrar o passado, custa-me muito a presença deles, o afastamento e a falta de diálogo e de confiança. Neste momento, o que existe entre nós não é mais que um buraco grande e fundo, cinzento e frio. Deixámos de ser amigos de muitos anos para sermos menos do que conhecidos. Cheguei ao ponto de nem sequer ter dois beijos para trocar com a pessoa a quem dei beijos na boca, em jeito de brincadeira e puro carinho.
A razão diz-me que estou certa. Nunca fiz nada de mal, nada que os pudesse prejudicar ou magoar ao ponto de me terem descartado desta forma. Pelo contrário: servi muito aquela amiga em momentos de aflição, ajudei-a em muitos trabalhos de curso, ouvi-a muitas vezes em desabafos sobre o namorado... Enfim, estive lá nas horas boas e nas horas piores.
Depois há o lado do coração. Neste momento, está pequeno e apertado. Tenho uma pedra na garganta, um peso no corpo que me paralisa os movimentos. Não sei se me apetece mais chorar, se gritar, se ir a correr dizer tudo o que penso e virar as costas, leve e descansada. Apetece-me pôr uma pedra no assunto, acabar com tudo o que nos liga de uma vez por todas porque acredito que, se isto aconteceu, só pode ser a vida a dizer-me que aquelas pessoas não me trazem nada de bom nem nunca me vão puxar para a frente. Não me arrependo de tudo o que fiz por elas mas também não quero estar iludida, pois elas nunca serão benéficas para mim.
Se é para acabar, então que tudo termine de uma vez e que acabe a dor. Eu sei que qualquer lado que eu escolha me vai trazer tristeza. Mas a parte pior já passou. Agora são apenas saudades de momentos e de memórias porque, para ser sincera, não tenho saudades nenhumas das pessoas.





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