Fiz. Faço. Farei.

sábado, 21 de setembro de 2013

Razão vs. Emoção

Tenho o coração quebrado. Note-se que eu escrevi quebrado, não partido. Já partiu, voltei a colar mas, ao contrário do que eu acreditava - que estava concertado sem ponta de cicatriz - está rachado, com pequenas marcas aqui e acolá.
Tento-me convencer que já ultrapassei as mágoas destes meses, as tristezas e histórias más e a falta das pessoas que me fizeram sofrer nos últimos tempos. Minto a mim própria porque, na hora da verdade, sinto-me sempre mal ao lembrar o passado, custa-me muito a presença deles, o afastamento e a falta de diálogo e de confiança. Neste momento, o que existe entre nós não é mais que um buraco grande e fundo, cinzento e frio. Deixámos de ser amigos de muitos anos para sermos menos do que conhecidos. Cheguei ao ponto de nem sequer ter dois beijos para trocar com a pessoa a quem dei beijos na boca, em jeito de brincadeira e puro carinho.
A razão diz-me que estou certa. Nunca fiz nada de mal, nada que os pudesse prejudicar ou magoar ao ponto de me terem descartado desta forma. Pelo contrário: servi muito aquela amiga em momentos de aflição, ajudei-a em muitos trabalhos de curso, ouvi-a muitas vezes em desabafos sobre o namorado... Enfim, estive lá nas horas boas e nas horas piores.
Depois há o lado do coração. Neste momento, está pequeno e apertado. Tenho uma pedra na garganta, um peso no corpo que me paralisa os movimentos. Não sei se me apetece mais chorar, se gritar, se ir a correr dizer tudo o que penso e virar as costas, leve e descansada. Apetece-me pôr uma pedra no assunto, acabar com tudo o que nos liga de uma vez por todas porque acredito que, se isto aconteceu, só pode ser a vida a dizer-me que aquelas pessoas não me trazem nada de bom nem nunca me vão puxar para a frente. Não me arrependo de tudo o que fiz por elas mas também não quero estar iludida, pois elas nunca serão benéficas para mim.
Se é para acabar, então que tudo termine de uma vez e que acabe a dor. Eu sei que qualquer lado que eu escolha me vai trazer tristeza. Mas a parte pior já passou. Agora são apenas saudades de momentos e de memórias porque, para ser sincera, não tenho saudades nenhumas das pessoas.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Clarice Lispector, em palavras que podiam ser minhas

ao sétimo semestre de vida (académica)

Parece que estou farta disto! No começo de mais um ano, quando ainda está tudo no início, sinto-me cansada. Não me refiro a um cansaço físico, mas antes falta de ânimo, de entusiasmo, de determinação. Falta-me vontade de fazer coisas, de entrar no ritmo, de organizar o meu horário e a minha vida. As responsabilidades crescem em cima dos meus ombros, empurrando-me para baixo. Os problemas já começaram, outros ainda estão pendentes desde as férias. Tudo por culpa de terceiros, que se fosse por minha não me podia queixar...
Ao mesmo tempo, a vida académica também já me cansa. Só fui a Coimbra hoje, porque era hoje o dia de escolher horário. Aceitei, a muito custo, um convite para jantar amanhã com colegas do carro da Queima. A praxe já não me diz muito, o jantar de curso deste ano passou em falso, as pessoas aborrecem-me e ainda só estamos no início.
Sei que este sentimento se deve ao facto de ter passado os últimos meses em casa, sem fazer nada de especial. Rotinei o corpo e mente a não fazer nenhum, a dormir mais de dez horas por dia, a deixar tudo para depois e agora está-me a custar adaptar à velocidade dos dias.
Ainda assim, sei que o regresso só me vai fazer bem. Preciso imenso de ter actividade, de me mexer, de andar de um lado para o outro a tratar das minhas coisas [os meus glúteos agradecem!]. Preciso de matar as muitas saudades das amigas, pôr milhares de assuntos em dia e desanuviar. Sobretudo e principalmente, desanuviar de memórias tristes e cinzentas, de pessoas más e ingratas, de "amigos" que nunca mereceram esse adjectivo. Preciso de sair, de me divertir, de ter a cabeça ocupada com tudo e mais alguma coisa e de estudar, claro, que não posso andar dez anos para acabar o curso.
Ainda me falta tanto para andar que, se começar a cair agora, chego toda partida ao fim do percurso. Se é para aproveitar o que falta, então que seja já!

dito-cujo, o jogador

fico muito orgulhosa de saber que o moço, mesmo depois de ter feito uma longa pausa no desporto, ainda recebe convites de treinadores para fazer parte das equipas que treinam. tenho um namorado que é uma estrela com a bola nos pés. oh se é!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Figos de pingo mel


Maduros e bem doces. Uma perdição de cair para o lado.

Lado bom da vida

Depois de escrever o post anterior, fui ver este vídeo, que tem corrido mundo. Uma lição de vida que nos ensina a sermos bons sem reservas, a darmos de nós pelos outros, a entregar-mo-nos ao próximo. Sempre acreditei que o bem que fazemos, recebemos a dobrar. Já fiz muito por pessoas que não mereceram, mas não me arrependo. E, conhecendo-me como me conheço, era capaz de repetir, mesmo sabendo que elas nunca me saberiam agradecer ou acarinhar. Não importa... afinal, faço-o porque me sinto bem com isso, porque me está no coração a vontade e disponibilidade de ajudar os outros. O que eles fazem com isso já é problema deles.

Hoje estou numa de escrever

Saber reconhecer quem são os nossos amigos talvez seja algo que se ganhe com a idade. Ou com a experiência, que é quase sempre o mesmo que mentalidade.
Com o passar do tempo, tenho cada vez mais cautela com as pessoas e sinto, ao conviver com elas, que não me posso iludir com as primeiras conversas, com os primeiros encontros ou saídas nem tão pouco com as primeiras confidências. Sempre chega o momento em que, por qualquer razão, nos desiludimos e ficamos de coração partido. Porque não chegam dias, não chegam meses nem chega uma vida para conhecermos, verdadeiramente, as pessoas com quem nos damos. Isto se, alguma vez, conseguirmos estar ao lado delas uma vida...
Em tempos, chamava amigo às pessoas mais próximas, com quem saía à noite ou ia tomar um café, com quem partilhava meia dúzia de momentos da vida e com quem podia contar para este ou aquele favor. Mas agora percebo que nem sequer há descrição para definir o que é um amigo.
Eu pensava que tinha muitos, talvez uns dez. Se, há uns anos, os pusesse numa árvore e fizesse deles maçãs, quase todos, hoje, tinham caído de podres. Com o passar dos anos, sinto que não tenho tantos amigos assim. Não sei se chego a ter três amigos verdadeiros, daqueles que me compreendem incondicionalmente, que me aceitam como sou, que me ajudam e me pedem ajuda sem segundas intenções, que me mimam e amam de coração. Quanto amigos tenho, não sei. Mas sei, felizmente e finalmente, que amigos eu não tenho.


domingo, 8 de setembro de 2013

Não é nada mau

Na recta final das férias, quando já toda a gente correu as praias deste Portugal e os sítios mais lindos deste Mundo, quando já toda a gente bronzeou a pele e meteu a sua inveja foto no Facebook, quando já toda a gente regressou ao stress que antecede mais um ano lectivo, vou eu aproveitar os dias bons do Alentejo.
Não será uma semana inteira de férias, não sei se vou ter tempo de bronzear nem sei se vou conseguir aquela foto para pôr no Facebook. But, who cares? A mim só me importa fazer uma boa viagem, ter um Sol lindo por lá e passear muuuito pela ma-ra-vi-lho-sa Costa Vicentina, que aos anos que não visito.
Estou ansiosa, embora de expectativas pouco altas - comigo, ter grandes planos e pressupostos dá sempre para o torto.
Assim sendo, malas feitas e sorriso na cara, parto rumo ao descanso que preciso. Espero não me ter esquecido de nada e espero, sobretudo, deixar cá todas as preocupações típicas do início das aulas e ter deixado tudo resolvido aqui para não ter apuros por lá.

sábado, 7 de setembro de 2013

Todos os anos, por altura das colocações no ensino superior, chego à conclusão que há cada vez mais pessoas a ir para um curso só por ir. Hoje, qualquer aluno que termine o 12º ano, prossegue os seus estudos, como se isso fosse parte obrigatória do percurso escolar de qualquer um. Por isso é que, todos os anos, vejo pessoas a ir para muito longe de suas casas, em tempos de crise e contenção de despesas, para tirar cursos que, como dizia um professor meu, são para encher chouriços. Não tenho nada contra mas duvido que essas pessoas querem, realmente, esses cursos. O desemprego, como se sabe, toca a todos. Infelizmente é assim que vivemos os dias de hoje. Mas também se sabe, apesar de tudo, que há escolhas e saídas profissionais mais promissoras que outras. E ver gente de Bragança a entrar em Leiria ou alunos de Coimbra a ir para Lisboa ou malta de Beja a ir para o Minho para tirar cursos que estão a rebentar pelas costuras e que, por sorte, conseguem dois licenciados a trabalhar no que se formaram, faz-me crer que, nos dias que correm, alguém só é alguém se tiver um canudo.

Diz que há dez dias que aqui não venho

E diz verdade. Por qualquer razão que não conheço nem quero conhecer, não tenho vindo aqui ao blogue. Sei que perante um problema, perante coisas que me tirem o sono, é na escrita que consigo libertar-me. Mas nem sempre a vontade de escrever, por muito que haja para registar, se sobrepõe e, como tal, acomodo-me às situações e espero que o tempo as resolva. Convenço-me, devagarinho, que o tempo, afinal, não cura tudo. Como alguém disse um dia, se o tempo curasse tudo, a farmácia vendia relógios. Deixo-o, portanto, passar e deixo também para trás a vontade antiga que tinha em vir aqui escrever tudo o que fazia e acontecia na minha vida. Talvez isto seja apenas falta de vontade, falta de imaginação, falta de temas interessantes... ou, apenas e só, a falta que sinto de mim. Mas eu hei-de voltar, prometo[-vos].