tem momentos que penso se estou no caminho certo. mesmo passados quase dois anos, tem dias em que ainda me pergunto se terei tomado a decisão correcta e se fiz bem ter avançado com as coisas. são poucos os momentos e acontecem, sobretudo, quando algo em ti choca com os meu princípios, com a minha maneira de ser, com as minhas regras ou, outras vezes, com o meu estado de espírito. não gosto quando não me entendes como mulher, quando não aceitas as minhas más-disposições sem razão aparente, quando reclamas dos meus queixumes sobre a vida ou sobre os nossos "amigos". fico chateada quando me dizes a verdade daquela forma tão tua ou quando disparatas comigo por eu dizer sempre a mesma coisa, repetir-me insistentemente ou porque falo sempre os mesmos assuntos. fico mesmo mal quando te enervas e ficas agitado, quando queres bater nas portas para acalmar os nervos e quando discutes sem motivos para tal. nestas alturas pergunto-me onde é que me vim meter? e se mereço isso. fico abalada, triste, sinto-me pequena e de coração partido.
mas depois penso em todas as vezes que estamos juntos e me agarras com uma intensidade que só tu sabes, me puxas para ti e me beijas como se não houvesse amanhã. penso no teu olhar aberto e brilhante, fixado no meu. penso em todos os momentos únicos que tivemos, em todos os obstáculos e pessoas que conseguimos derrubar. penso em todas as gargalhadas, em todas as brincadeiras, em todas as vezes que nos divertimos à séria. recordo os nossos passeios, aquele que fizemos a pé perto da minha casa e aquele outro na Serra, bem longe de tudo e todos, naquele magnífico lugar onde nos amámos tanto. penso em todas as vezes em que somos um só e nos deliciamos de prazer. nas vezes em que me dizes amo-te ao ouvido, com a tua pele a tocar na minha. penso nas conversas que temos, nas vezes em que me ouves e em como me sabe bem que o faças, mesmo que não tenhas nada para dizer. penso em tudo o que fazes por mim, todas as boleias, todas as viagens até minha casa para estarmos juntos uma hora ou duas.
por isto que escrevo, e por muito mais que não escrevo, concluo que ter-te é, certamente, a minha maior sorte. percebo que valem a pena todas as discussões, todas as lágrimas, todas as saudades porque, no fim, resolvemo-nos, abraçamo-nos e seguimos em frente. e eu, hoje, jamais conseguiria seguir em frente sem ti.