Fiz. Faço. Farei.

Mostrar mensagens com a etiqueta é a minha vida. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta é a minha vida. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

# trinta e seis - ERASMUS UAH

Hoje lá consegui ir ao Palácio Real. Digo-vos, é QUALQUER COISA!
Eu adorei. Não sei porque é que os Reis de Espanha vivem na Zarzuela quando têm no Palácio a residência oficial. Eu não queria viver noutro sítio se tivesse assim uma casa...
É absolutamente fantástico, é romântico, é colorido, é magistral. Há talha de ouro por todo o lado, as cores dourada e bordô predominam, há frescos nos tectos de todas as salas, elementos esculpidos de formas brilhantes, sedas bordadas a forrar paredes... a mobília, os quadros, tudo faz com que aquelas divisões sejam imponentes.
O que mais gostei foi da sala onde está exposta a Coroa Real e o Cetro e os discursos do Rei Juan Carlos I (quando em 2014 abdicou do trono) e do seu filho, Filipe VI de Espanha, quando assumiu a herança da Corona. Confesso que até fiquei de lágrimas nos olhos ao ler aqueles textos...
Se um dia vierem a Madrid, e se gostam de visitar este tipo de monumentos ou locais, não deixem de passar pelo Palácio Real. De certeza que não se vão arrepender.


# trinta e cinco - ERASMUS UAH

Ontem foi dia de ir a Madrid. Saí do estágio, almocei num instante e fui para o comboio. Tinha pressa de chegar ao Palácio Real porque a entrada até às 17h é gratuita. Só que não consegui chegar a tempo: até Madrid, tenho de apanhar um comboio e depois trocar até uma estação mais central. E neste caso, ainda tive de apanhar um metro. Acontece que, no meio de tantos transportes, lá se foram as 17h.
Contudo, fui visitar a Catedral de La Almudena, que é absolutamente magnífica. É a maior onde já entrei, acho eu. E eu sou fascinada por vitrais e tectos pintados, o que neste edifício existe muito. Vale mesmo a pena, e ainda por cima não se paga nada para entrar.
Depois aproveitei e fui visitar a Cripta. Eu não sabia o que era uma cripta... estupidamente até pensava que era uma torre ou algo assim, suponho que confundindo com cúpula. Mas uma cripta é um lugar, geralmente subterrâneo e muito comum em igrejas, onde se sepultam mortos e relíquias religiosas. Gostei de estar ali, mas é um sítio estranho e pesado, apesar da decoração, das pinturas e dos altares que são brutais.
Para acabar a minha tour, fui visitar o Museu do Prado. Enfrentei uma fila com mais de 150 pessoas, seguramente. Mas andava muito rápido, não demorou muito tempo até entrarmos. O Prado é gigante, gigante, gigante. Há tantos quadros que cheguei ao fim com ardor nos olhos e dor de cabeça. Foi curioso ver de perto os quadros dos quais me recordo dos livros de História. Lembro-me de algumas obras e também de alguns pintores e foram mais esses que tentei procurar e observar.
Assim passei a minha tarde, tendo já chegado a casa de noite. Agora tenho de voltar porque quero mesmo ir ao Palácio Real.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

# trinta e quatro - ERASMUS UAH

Voltei a não ir para a minha rotação. Ando atrás da D. e do Y. e, pior do que isso, é que faço o trabalho dele. A parte boa é que prefiro trabalhar do que ver trabalhar. E a parte ainda melhor é que, enquanto nós as duas fazemos alguma coisa de útil, ele faz de palhaço e a manhã passa muito mais rápido. Assim, ao menos, não temos desculpa. Quem não gosta de trabalhar com um sorriso na cara?


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

# trinta e três - ERASMUS UAH

Hoje iria iniciar uma nova rotação, ou seja, ia começar na área dos Ensaios Clínicos e Centro de Informação de Medicamentos. E digo iria porque o P., farmacêutico responsável, regressou hoje de férias e tem um montão de trabalho para pôr em dia. A residente está a substituir uma colega noutro serviço e, como tal, ninguém me pode acompanhar. Agreguei-me ao grupo que está na Gestão, não porque adore o que se faz lá, mas pela maior afinidade à D. e ao Y., em relação aos demais colegas.
Em termos de tarefas... uma seca. Fiz alguma coisa em concreto mas o trabalho é saturante, é chato, é enfadonho. Mas tem de ser feito e, já que estava ali, fiz a minha parte.
Tirando isso, hoje foi o dia mais divertido que tive no serviço. O Y., colega francês de ERASMUS, está cada vez mais engraçado a falar. E como tem ganhado à vontade com as pessoas, tem cada saída e cada comportamento que a mim só me dá para rir. A sério, é uma comédia pegada estar com ele! Eu parto-me a rir com o que ele diz, a forma como se expressa, numa mistura de espanhol, francês, inglês e sempre que acaba qualquer frase diz, com bom sotaque, "Putááá!!!". Imperdível.
Diverti-me a valer, tirei fotos feita tonta quando acabei as tarefas e depois ainda viemos os três juntos até à cidade, antes de ir cada um a sua casa, o que foi mais uma risota.
Vou ter saudades disto...

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

# trinta - ERASMUS UAH

O balanço de mais duas semanas na área "Farmacotecnia, Nutrição Artificial e Quimioterapia" é altamente positivo. Nota 20! Adorei. Adorei tudo, a começar pelas pessoas e a acabar em tudo o que tive oportunidade de ver, fazer e aprender.
Um gabinete de gente simpática, disponível, querida, atenciosa. Para mim, a farmacêutica D. é a melhor, a que mais me encanta, mas não posso deixar de referir que as residentes, a farmacêutica B., as enfermeiras (em especial a C., a T. e a M.) e as auxiliares (com destaque para a M.), também merecem o meu carinho e gratidão.
Ainda não conheço todos os sectores de trabalho da Farmácia Hospitalar mas neste sei que gostaria de trabalhar. É muito desafiante em termos científicos, é necessário muito conhecimento prático [embora os farmacêuticos não executem, são eles que elaboram as fórmulas, que fazem os cálculos e que, muitas vezes, têm de esclarecer quem vai fazer as coisas], há relativo contacto com os médicos e outros profissionais, bem como com os doentes. Além disso, estão sempre a ser requisitados por outros serviços, o telefone não se cala, a toda a hora surge uma situação ou outra diferente e que exige uma resposta rápida e uma solução eficaz.
Gostei imenso e não me vou esquecer da M., uma auxiliar cheia de vida e constantemente a meter-se com os estudantes. No meu caso, disse-me que adorava Portugal. Que tinha adorado conhecer Sintra e que a comida na Nazaré era fantástica. Aliás, toda a comida em Portugal era maravilhosa. Portanto, nas palavras dela, tudo lhe parecia bem em mim excepto o facto de gostar do Cristiano Ronaldo. AHAH, ela tinha cada uma que só mesmo uma mulher daquelas. Adorável.
Pelo caminho, contudo, há sempre uns patinhos feios - nem tudo é perfeito, certo? Havia lá uma auxiliar que era o terror. Eu não consigo sequer imaginar como é que uma mulher tão desorganizada e irresponsável pode trabalhar num sítio destes. Mas a verdade é que trabalha e, como podem prever, só faz merda. Enfim. Uma nódoa negra no meio de gente cinco estrelas.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Isto [NEM] só em Portugal!

Nós portugueses costumamos dizer muitas vezes "Uma situação destas?! Isto só em Portugal, só mesmo neste país!". Queixamo-nos, muitas vezes, com razão, mas falamos como se só no nosso país se passassem coisas inacreditáveis ou os serviços fossem uma merda.
Pois tenho a dizer-vos que não! Aqui no país de nuestros hermanos também há funcionários mal-dispostos e serviços que funcionam mal, ao ponto de prejudicar a vida das pessoas.
A partir de hoje, o passe mensal dos transportes de toda a comunidade de Madrid vai custar 20 euros para jovens com menos de 26 anos. Uma maravilhosa tarifa, tendo em conta que inclui todos os transportes (metro, autocarro, comboios) e engloba muitas zonas, mesmo as mais distantes da capital.
Claro que, com esta nova tarifa, toda a gente está a recorrer às oficinas para fazer cartões, para pedir informações, para tudo. Ontem também eu fui fazer o meu cartão mas tive que fazer uma reserva há cerca de 3 semanas - para ser atendida ontem! E sem reserva, nada de cartão. Fui atendida por um anormal mas, pelo menos, despachou-me em 5 minutos e vim descansada à minha vida. Como a tarifa só era aplicada a partir de hoje, não pude carregar o passe e hoje fui a uma tabacaria para o fazer. Aliás, fui a duas. E nas duas me disseram que o cartão não estava actualizado, que tinha de voltar à oficina porque os cartões novos estavam a vir todos assim.
Lá fui eu, na companhia de uma outra rapariga com quem se passava o mesmo. Chegámos à oficina e, mais uma vez, uma funcionária com pouca vontade de ali estar. Para terem uma ideia, a oficina dos transportes de Alcalá funciona dentro de um café! Onde é que isto já se viu?! Pois... Adiante.
A mulher disse que tinha muitos outros cartões para actualizar, que só amanhã é que estavam prontos e que tínhamos de voltar depois porque às 20h fechava o tasco e não fazia mais nada. No meu caso, como vivo perto, disse-me para tentar antes dessa hora.
Eu fui e adivinhem a minha sorte. Exacto, nada de cartão. Tinha um monte deles e nesse monte não estava o meu. Havia uma imensa fila, as pessoas descontentes porque, como é óbvio, ninguém percebe porque é que vais fazer um cartão que depois não vem actualizado. Qual é a lógica? Eu amanhã tenho de pagar a viagem de volta do hospital até casa, que custa 1,30€. Não é uma fortuna, mas se tenho o cartão e o quero carregar para 30 dias, tenho direito a usufruir dele desde o dia 1 ao dia 30. Pior do que eu, estão as pessoas que fazem viagens todos os dias que custam 7 e 8 euros e amanhã não têm o passe para usar nos transportes...
Sabem que vos digo? Isto só aqui... e em Portugal!

# vinte e oito - ERASMUS UAH

Logo de manhã, fomos pedir à chefe do Serviço para irmos às jornadas do Erasmus. Assim conseguimos ir ao encontro sem sermos uns rebeldes que resolveram faltar ao estágio sem dizer nada a ninguém.
O programa em si não foi cumprido e houve algumas coisas mal organizadas mas a Universidade ofereceu-nos um coffee-break riquinho e no tempo em que não estávamos a fazer nada, pelo menos pudemos conversar com as pessoas e fazer amizades.
No meu caso, conheci três alemãs. Portugueses não havia no grupo, mas uma das raparigas com quem falei conhece duas estudantes de Medicina que são de Coimbra. Não fazia ideia que havia tugas, muito menos da minha Universidade! A moça ficou com o meu Facebook para me convidar para um jantar e juntar as portuguesas todas. Uma excelente ideia que eu espero que passe a concretizar-se brevemente.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

# vinte e sete - ERASMUS UAH

Ao fim de um mês no hospital, começamos a aperceber-nos [um bocadinho] de como são as pessoas. No início, parecem-nos todas muito porreiras, muito simpáticas, tudo gente do bem, é tudo azul e cheio de algodão doce. Mas depois, com o passar do tempo, começamos a perceber que a pessoa X tem aquela mania que nos irrita profundamente, que a pessoa Y é um bocado infantil e tem brincadeiras parvas, que a pessoa Z está ali para ficar bem e os outros que se desenmerdem.
Directamente, não me sinto afectada com isto porque, de certa forma, estas pessoas só "estão de passagem" e vou perder o contacto com elas quando regressar a Portugal. Além disso, não estamos a competir, não estamos a lutar por um lugar, eu tão pouco lhes vou prejudicar ou beneficiar a vida, nem eles a mim. Mas cá dentro começo a ficar um-bocadinho-só-um-bocadinho desiludida e enervada com algumas coisas que vão acontecendo.
O P. parece que quer fazer estágio na cafetaria. Por ele, quando mais tempo passar em modo pausa, melhor. Esse vive o ERASMUS à grande, vai a festas todas as noites. Eu acho que ele faz muito bem em aproveitar mas depois tem imenso sono quando estamos no serviço e ontem adormeceu a ler uns artigos... Não me chateia isto! O que me irrita é que tem uma atitude profundamente preguiçosa, de estou-me nas tintas e, sempre que pode, escapa-se para o café e nem sequer vem ter com o resto do grupo para saber se é preciso ajuda, se estamos a fazer alguma coisa ou se, por acaso, também queremos ir descansar.
O B. tem a mania que sabe, não confia no que eu faço e está sempre a ir atrás confirmar e prefere sempre fazer tudo sozinho, deixando-me a olhar como se fosse uma atrasadinha que não sabe fazer as coisas. Hoje, por exemplo, estávamos a preparar uma medicação e havia um medicamento da lista que ele disse que não se colocava porque as enfermeiras já o tinham no piso do doente. Eu confiei. Passado um bocado vem uma farmacêutica dizer que faltava o tal medicamento e que, se estava na lista, tinha de se colocar com o resto das coisas. Nervos!

terça-feira, 29 de setembro de 2015

# vinte e seis - ERASMUS UAH


Cada vez que penso que já passou um mês desde que estou aqui e que daqui a outro mês estou de regresso a Portugal... um aperto no coração. O tempo que passei aqui foi bom, muito bom. Mas ainda me falta fazer muita coisa, visitar muitos sítios, regressar a Madrid, provar mais comidas, conhecer mais pessoas, aprender muito mais no hospital. Sei que tenho de aproveitar com qualidade e da melhor forma. Mas 4 semanas passam a voar, metade já foi.
Pensar que o próximo mês vai passar tão rápido como este dá-me uma saudade como se já tivesse partido sem sequer ter partido.

domingo, 27 de setembro de 2015

Do acto de ir às compras

Prós:
- Tenho dinheiro [muito importante, não?];
- Preciso de repor as peças de Inverno;
- As lojas aqui são mais baratas;
- As roupas da próxima colecção são lindas;
- Vou para a farmácia em Novembro, tenho de me apresentar bem;
- Quando chegar a Portugal vou-me arrepender de não ter comprado;
- Trabalhei no Verão... por isso posso.

Mas depois...
Será que tenho dinheiro? Às tantas deveria poupá-lo porque ainda tenho de pagar as despesas da casa e um mês de renda. Tenho a caução empatada e vou ter direito a ela quando for embora [I HOPE SO!!!] mas os gastos obrigatórios ainda são jeitosos.
E será que preciso assim tanto de roupa de Inverno? Já não me recordo das peças do ano passado e quando me tento lembrar conto poucas. Mas isso é decerto uma mania tendenciosa para pensar que não tenho roupa nenhuma... E dizer que "preciso" quando há tanta gente realmente necessitada em coisas bem mais importantes, faz-me sentir pequena e fútil.

Só que as lojas aqui são mesmo mais baratas. Não estou a falar do grupo Inditex, porque são iguais às nossas - CARAS! Mas as lojas de comércio local, muitas delas exploradas por chineses, mas que não são lojas dos chineses. São verdadeiros pronto-a-vestir com roupa actual, jovem, bonita e a preços muito convidativos. Mas o sentimento de culpa, o pensar que não devo e saber que, antes de vir para Espanha, já tive direito à minha dose de compras... Por um lado sei que devia aproveitar os preços baixos, as rebaixas até -80%, o facto de saber que, se não comprar aqui, vou acabar por ceder em Portugal e gastar muito mais por muito menos. E se trabalhei e sei poupar o dinheiro, não é por causa de 10 euros que fico pobre. Mas pobre sinto-me de espírito em querer ter mais uma camisola, mais umas botas, mais um casaco...

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

# vinte e cinco - ERASMUS UAH

Ser estudante (estagiária) ERASMUS é, sobretudo, ser turista. É aproveitar que se está num país diferente e numa cidade nova, para se viajar o mais possível. Infelizmente, nesta Espanha imensa, as cidades que mais gostava de conhecer estão muito longe e fica muito caro ir até lá. De qualquer forma, é minha obrigação, antes de ir a Valência, a Toledo ou a Granada, visitar tudo o que tenho à porta de casa [e que é realmente bonito!] e saber mais sobre a Universidade que me está a acolher. Por isso, a convite do Y., meu colega de estágio, passei a tarde a passear por Alcalá.
Fomos ao Museu Casa Natal de Cervantes, pois aqui nasceu esse génio da literatura espanhola e internacional. Fomos ao Museu Arqueológico, à Catedral Magistral e depois tínhamos uma visita guiada à Universidade.
O P., outro colega de estágio, juntou-se a nós e à hora marcada lá estávamos nós os 3, um casal de turistas e a guia, prontos a iniciar a visita. Posso-vos dizer que, em geral, nunca participo em visitas guiadas. Por norma são coisas caras, os guias nem sequer falam português e é uma coisa à qual, para ser sincera, nunca dei o devido valor. Mas acho que depois desta... não vou desprezar mais nenhuma. ADOREI.
Começámos a visita pela fachada do edifício (século XVI), da qual eu já tenho umas quantas fotos e para a qual já olhei uma dezena de vezes. É realmente bonita, mas nunca achei tão bonita como hoje. Explicou-nos todos os desenhos, todos os símbolos, todos os significados que uma "simples" fachada pode ter. Imperdível!
Depois prosseguimos para os pátios [que são um sonho... podia casar-me aqui!] e depois para o Salão dos Actos, ou Paraninfo, que é o equivalente à Sala dos Capelos da UC. Linda, linda. Fiquei absolutamente impressionada com as histórias que a guia contou sobre a cerimónia de graduação dos estudantes. Para terem uma ideia, a graduação durava cerca de 3 dias e a prova era muito dura. De um lado do estudante, estava uma pessoa que lhe dava ânimo e força. Mas do outro lado, estava um oponente que TUDO fazia para o distrair: interromper o seu discurso, cantar ou mesmo apalpar-lhe o rabiosque. Assim como ao público, que basicamente podia ser toda a cidade, tudo era permitido: gritar, berrar, chorar, encenar uma peça de teatro, whatever. Foram muito poucos os que conseguiram "a glória" dentro daquela sala.
A visita prossegue para o Colégio Menor, onde os estudantes estudavam línguas e onde só se podia falar latim. Na época, quem fosse ouvido conversar noutra língua que não o latim, ia para a prisão académica...
Depois, e para finalizar, a guia leva-nos à Capela de San Ildefonso, onde está o túmulo do fundador da Universidade, Cardenal Francisco Cisneros. A decoração da capela é lindíssima, com as paredes esculpidas de forma espectacular.
No entanto, desconcentrei-me das paredes quando oiço a senhora do grupo a dizer "treze, quatorze, quinze... vê lá, são quinze símbolos que estão nesta parede!". Assim, em português de Portugal. Já me tinha parecido que o homem falava aportuguesado, mas pensei que fosse só um mau espanhol. Mas depois ouvi a mulher e tirei todas as dúvidas. Perguntei-lhes "Desculpem, os senhores são portugueses?". Eram de Lisboa, vejam que engraçado. Perguntaram porque estava aqui a estudar e, nas despedidas, desejaram-me sorte, felicidade e bom estágio. São assim os portugueses.

Casa Natal de Miguel de Cervantes

Pormenor de uma divisão da casa de Cervantes

Catedral Magistral de Alcalá de Henares

Fachada da Universidade de Alcalá de Henares (UAH)

Pátio dos Filósofos

Mais dois pátios da Universidade

Colunas da antiga Universidade que serviam de cerco à porta do edifício

# vinte e quatro - ERASMUS UAH

Adoro quando estou a aprender alguma coisa nova e me deixam fazê-la. Mexer nas coisas, pegar nos materiais, fazer misturas, tudo. O aprender fazendo é o melhor que há.
Foi isto que aconteceu hoje, com a enfermeira T., na cabina das nutrições parenterais. Ela, além de me explicar como se fazem as bolsas da nutrição para os pacientes, deixou-me fazer algumas coisas e ajudá-la em alguns passos da preparação. É muito entusiasmante estar na cabina, vestir o equipamento todo, calçar as luvas e saber que vamos preparar algo que vai contribuir para a saúde de alguém.
Hoje, (felizmente!) suspenderam a nutrição de um bebé que nasceu prematuro e, por essa razão, não tive oportunidade de ver como se faz. Também não houve prescrições de colírios, que aqui se fazem muitos, pelo que não vi como aqui os fazem.
Mas o tempo que passei na cabina ensinou-me coisas novas, vi materiais que nunca tinha visto nem sabia que existiam e já deu para ter uma noção concreta de como funciona esta área.
Sem dúvida, aqui é onde mais gosto de estar. O meu grupo de colegas é animado, temos o francês sempre a dizer piadas e a fazer sucesso com a enfermeira M. e, quer a farmacêutica B. como a D. são muito simpáticas, estão sempre preocupadas se percebemos o que nos explicam e deixam-nos muito à vontade com elas.
Hoje também demos um passeio pelo hospital. Fomos conhecer o hospital de dia, para onde vai grande maioria da medicação que se prepara nas cabinas. Era um dia calmo, felizmente não estava cheio de gente francamente doente e debilitada. Não gosto nada de ser "turista" num local onde as pessoas estão mal...
Foi uma manhã produtiva e cheia de novidades para mim. Tal como já tinha concluído no início da semana, esta área é onde mais gosto de trabalhar e aprender.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

# vinte e um - ERASMUS UAH

Hoje foi o primeiro dia numa nova área da farmácia. As próximas duas semanas serão passadas com outros colegas (E., Y. e B.) e outras orientadoras, na Farmacotecnia e Unidades de Preparação de Citostáticos e Nutrição Parenteral.
Comecei muito bem a semana porque puseram-me logo a fazer alguma coisa em concreto. Neste caso, uma solução de um medicamento para aliviar a dor de crianças que têm feridas na boca. Os meus colegas fizeram pomadas e xaropes.
Assim vale a pena, aprender fazendo. Estou com muita expectativa para este período porque tenho imensa curiosidade em saber como se preparam os medicamentos para quimioterapia e para a nutrição parenteral (nos doentes que não podem ingerir, administra-se os nutrientes por via intravenosa). Na teoria, muito nos ensinam. Há protocolos e protocolos sobre estes temas. Mas e na prática, como é que é? Como é que realmente funciona, como é que se faz? Pois que eu gostaria muito de saber tudo isto e espero que agora seja a minha oportunidade.

sábado, 19 de setembro de 2015

# vinte - ERASMUS UAH

Na passada Quinta-feira tive um jantar com os colegas de estágio. Há muito que os andava a desafiar para passarmos um bocado fora da farmácia, sem estarmos de bata vestida. Pois esse momento aconteceu e correu muito bem.
Fomos jantar adivinhem o quê? Paella? Podia ser mas não... fomos às tapas. Eu já estive em Espanha umas 4 vezes e nunca tinha comido tapas. Nem sabia exactamente o que era, imaginem só.
Pois que estivemos num bar muito movimentado, cheio de gente e animação, uma decoração muito interessante e a comida... bem, adorei. Eu optei por um kebab misto (peru e frango) mas fiquei de água na boca com as patatas rellenas (um pequeno tacho com batatas cobertas de bocadinhos de bacon e queijo derretido) e também quero muito provar a tortilha de batata.
Depois de jantarmos, fomos a um bar e os meus colegas espanhóis pediram uma cachimba, que é como quem diz, uma shisha. Sabor de manga e para partilhar entre todos. Foi uma noite tranquila e muito bem passada, na companhia de 7 (+1 a convite) pessoas que me agradam muito.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

# dezanove - ERASMUS UAH

Fim da segunda semana e fim da primeira rotação. A minha passagem por esta área terminou, embora ainda me falte conhecer o serviço de Cardiologia, onde nos querem ensinar e mostrar umas coisas em particular e relacionadas com a medicação em situação de emergência.
O balanço que faço desta primeira fase é que foi pouco tempo num sítio onde, de certeza, há muito mais para explorar. Mas isso acho que se vai passar com todas as rotações, porque estar dois meses na farmácia de um hospital não nos pode ensinar tudo. O plano de estágio está feito para permitir aprender o que é mais importante, o que representa a maior fatia de trabalho e intervenção do farmacêutico e é impossível, em tão pouco tempo, chegar a todos os sítios.
Mas acho que o balanço final é positivo e aprendi coisas novas, que é o mais importante. Além disso, fico muito contente e orgulhosa de saber que fiz alguma coisa útil, nomeadamente na arrumação das unidoses, que estão agora bem mais organizadas. E se isto melhorar o desempenho das auxiliares e os resultados de qualidade da dispensação, então valeu a pena ter passado por aqui.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

# dezassete - ERASMUS UAH

Mudanças. Esta semana tem sido de mudanças.
Estamos a [des]organizar as caixas onde se armazenam os medicamentos em unidoses que são para os doentes hospitalizados. Há caixas pequenas, caixas médias e caixas grandes. E há armários com prateleiras onde, supostamente, se arrumam os medicamentos por ordem alfabética do seu princípio activo. Cada caixa tem um rótulo onde deve estar identificado, de forma legível, simples e completa, o medicamento em causa.
Claro que, com o passar do tempo, as coisas vão ficando desorganizadas e fora do sítio. Há caixas muito grandes para coisas que saem pouco e caixas pequenas com medicamentos que saem às centenas por semana. Há rótulos velhos e totalmente desactualizados. E depois, atrás das caixas, no "oculto" das prateleiras, há medicamentos caídos, soltos e fora do prazo de validade.
Portanto, e porque isto é gestão e organização, temos a tarefa de colocar tudo direitinho, reaproveitar espaço e avaliar que mudanças poderão ser necessárias fazer para que o trabalho das auxiliares fique facilitado na hora de preparar a medicação e, muito importante também, diminuir os erros devidos às etiquetas que estão erradas e pouco esclarecedoras.
A nossa missão (que inclui mais de 1000 artigos diferentes) está a correr de feição e achamos que estamos a contribuir para o melhor funcionamento da secção das unidoses. É bom sentir que estamos a deixar a nossa marca e a mudar alguma coisa - para melhor.
Só que, já se sabe, as pessoas são avessas à mudança. Todos os dias as auxiliares reclamam connosco e sobretudo com a farmacêutica, porque já não sabem onde está nada, não encontram nada em lugar nenhum e mais um chorrilho de queixas. Está bem, eu posso perceber que nos primeiros dias lhes custe andar à procura porque estavam habituadas a tirar os medicamentos do sítio sem quase olhar para eles. Por isso, todos os dias, aqueles que revisam, encontram medicamentos trocados e doses erradas - o que pode matar uma pessoa... Custa no início, porque aquilo que faziam de cor e salteado, agora têm que pensar e ver onde estão as coisas. Acredito que, desta forma, vão abrir mais os olhos e ficar mais atentas, o que só pode ser bom quando estamos a falar de medicamentos e pessoas.

sábado, 12 de setembro de 2015

# quinze - ERASMUS UAH

Para vos contar como foi o meu dia de hoje, apenas vou deixar algumas fotografias e uma nota breve que é: nunca tinha visto TANTA gente junta numa só rua. Gran Vía ao poder!


 




sexta-feira, 11 de setembro de 2015

# quatorze - ERASMUS UAH

Fim da primeira semana de estágio e o balanço é:
- Os meus colegas de estágio são muito simpáticos, muito amáveis e compreensivos. Acho que não podia ter tido melhor sorte.
- A chefe é a chefe e não tem tempo para os estagiários.
- A outra chefe, essa sim, é a FARMACÊUTICA lá do sítio. Acho que é quem mais me pode ensinar aquilo que queria vir aprender. Além disso é uma mulher doce e calma que a mim me encanta mucho.
- A farmácia é um lugar de mulheres. E por isso é um nicho de espalhafato, de alguma inveja e também de picardias entre profissionais de várias áreas.
- Quero fazer a rotação e ir conhecer outras áreas porque esta da gestão é entediante...
- Acho que amanhã me vou estrear por Madrid.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

# treze - ERASMUS UAH

Hoje foi mais um dia igual aos anteriores. A chefe nunca nos pode acompanhar porque tem coisas para fazer. Assim que chegamos ao serviço, encomenda-nos qualquer coisa e aí ficamos toda a manhã... De certo modo, tento tirar algum fruto com o que fazemos. Estamos na área da gestão e o que ela nos manda fazer é um pouco do trabalho dela de todos os dias. Estamos no lado economicista do medicamento que deve ser muito interessante... mas não às oito e meia da matina!
Cada vez gosto mais do grupo. Os franceses são muito, muito engraçados. Farto-me de rir com eles, sobretudo porque um é algo hippie e rebelde e o outro é o típico francês, com o sotaque demasiado vincado e muito très chic. Não há um dia que não me façam soltar uma boa gargalhada, quanto mais não seja porque numa única frase são capazes de falar espanhol, francês e inglês.
Hoje, feliz ou infelizmente, regressou ao trabalho a outra chefe. A Dra. Gemma tinha estado connosco no primeiro dia mas depois foi de férias. Voltou hoje e entrou a matar. Eu e os meus dois colegas de grupo estávamos a fazer a revisão da medicação quando ela nos aparece com um medicamento na mão e nos pergunta "Meninos, o que é isto? Para que serve? O que faz e como se usa?". Agora sim, estamos a ser postos à prova.
Estou a falar de uma mulher alta, muito elegante e cheia de postura. Está sempre tão direita que parece que come garfos ao pequeno-almoço. Ora uma pessoa fica logo nervosa perante uma personagem destas e, mais ainda, com perguntas assim (in)esperadas. Safámo-nos bem. Afinal de contas, é esperado que saibamos o que é o quê. Agora estou a transferir todas as aulas que tenho disponíveis no Inforestudante porque, descansa-que-isto-nunca-vai-acabar, aí vou eu voltar a estudar todas as Farmacologias do curso.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

# onze - ERASMUS UAH

Já deu para perceber que esta jefa tem mais que fazer do que nos aturar.
Chegamos de manhã, perguntamos o que é para fazer, fica toda eriçada, a fazer mímica facial, sem saber o que nos dizer. Começa a explicar uma coisa, depois já está a dizer outra diferente, entretanto já me perdi no raciocínio da mulher até que ao fim de tudo... não diz nada. Ou diz e no minuto a seguir já não é para fazer nada daquilo.
Hoje deu-nos umas listas de uns produtos e ofertas que os laboratórios propuseram e mandou-nos para o computador fazer tabelas, comparar preços e decidir qual o produto melhor e mais vantajoso. Além disso, deveríamos fazer um folheto informativo sobre o produto, características dele, etc., como se fossemos o comercial da marca e quiséssemos convencer aquele serviço a comprar o produto.
A meia hora de pausa na cafetaria é a mais divertida do dia todo. E passa num instante! Os dois franceses são uma comédia. Até o que eles comem me dá vontade de rir. Compram montes de comida, incluindo baguetes de meio metro com uma quiche de batata lá dentro! AHAHAH. Adoro a comunicação entre eles e deles com os outros porque o discurso tem 3 línguas e mais uma, que ninguém sabe qual é.
Da parte da tarde, estivemos a aprender a fazer revisão da medicação. As auxiliares de enfermaria prepararam toda a medicação, por cama e por doente, para 24 horas. E depois as enfermeiras fazem a revisão, ou sejam, conferem se está tudo de acordo com as listagens. Ensinaram-nos a dinâmica da coisa e, a partir de hoje, também seremos nós a fazê-la.