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sábado, 17 de outubro de 2015

A vida e o Facebook: uma coisa ou duas coisas?

Um dia vi uma foto de um colega no Facebook, no dia em que terminou o curso, que tinha na descrição "Se não está no Facebook é porque não aconteceu".
Foram palavras que me ficaram gravadas. Será que é possível ser mesmo assim? Será que o Facebook é assim tão importante e é onde deves colocar e mostrar tudo para, de facto, comprovar que aconteceu?
Infelizmente, temo que sim. Esta rede social está a mudar o mundo, a sociedade, as mentalidades das pessoas, os relacionamentos. Odeio pensar assim, mas sei que é a mais pura das verdades.
Já não se faz nada sem mostrar no Facebook, não se vai a lado nenhum que não se fotografe e suba no Facebook. Não se come nada novo que não se partilhe com os amigos. Não se pensa em nada que não seja motivo para alterar o estado. Isto é tão assustador, que as próprias empresas te pesquisam para saber quem és, o que partilhas, com quem andas, o que fizeste na vida.
Eu já pensei mil e uma vezes actualizar no Facebook a minha cronologia de formação e adicionar este estágio em Erasmus. Pode ser uma mais valia ter isso público, não vá algum recrutador pôr o meu nome na barra de procura e ver algo tão simples como o liceu e a Faculdade que frequentei. Mas depois penso que tenho um currículo e, isso sim, é que deve incluir esta experiência. Mas será que os empregadores vão mais depressa ao Facebook ou lêem o teu currículo? Pois... também não sei.
A mim perturba-me que a realidade de hoje seja tão irreal, tão virtual, tão falsa. As pessoas são demasiado apegadas, dão demasiada importância ao que se passa numa plataforma social. Confesso-vos que também me sinto muito ligada a este lado. É uma coisa que detesto, sinceramente, mas quando ligo a Internet, a primeira página que abro é o Facebook. Não é o mail, o blogue, nada. É o Face e pronto. Também dou valor a certas coisas que sei que são parvas, nomeadamente quando uma amiga põe aquelas frases que são indirectas e ponho-me a pensar "é para mim?", "será que fiz algo?". Fico a matutar nestas coisas, quando defendo que, se a pessoa me quer dizer algo, então que me diga directamente em vez de esperar que eu lá chegue por frases feitas publicadas no Facebook. Não estou imune ao que se passa neste mundo. Pelo contrário, sou mais uma vítima da mudança dos tempos, da evolução da tecnologia, do que lhe queiram chamar.
Mas, em contrapartida, sou muito recatada quanto à minha vida. A mim não me vêem colocar fotos de onde ando, do que faço, de onde estou, do que como. Quanto muito, publico umas flores que fotografo ou umas frases positivas da vida, da alegria de viver, da magia do pôr do sol, coisas assim. Além disso, controlo as publicações em que sou marcada e os públicos das minhas 8 ou 9 fotos de perfil.
A minha grande preocupação é saber que a sociedade vive do Facebook e para o Facebook. E isto tende a piorar com o passar do tempo. Assusta-me muito pensar "onde é que isto vai parar?". Será mesmo que, se aconteceu, tem que estar no Facebook ou será que podemos ter uma conta de Facebook e, além dela, uma vida?

1 comentário:

Janny disse...

as pessoas estão cada vez mais viciadas nesta rede social