Fiz. Faço. Farei.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

# vinte e sete - ERASMUS UAH

Ao fim de um mês no hospital, começamos a aperceber-nos [um bocadinho] de como são as pessoas. No início, parecem-nos todas muito porreiras, muito simpáticas, tudo gente do bem, é tudo azul e cheio de algodão doce. Mas depois, com o passar do tempo, começamos a perceber que a pessoa X tem aquela mania que nos irrita profundamente, que a pessoa Y é um bocado infantil e tem brincadeiras parvas, que a pessoa Z está ali para ficar bem e os outros que se desenmerdem.
Directamente, não me sinto afectada com isto porque, de certa forma, estas pessoas só "estão de passagem" e vou perder o contacto com elas quando regressar a Portugal. Além disso, não estamos a competir, não estamos a lutar por um lugar, eu tão pouco lhes vou prejudicar ou beneficiar a vida, nem eles a mim. Mas cá dentro começo a ficar um-bocadinho-só-um-bocadinho desiludida e enervada com algumas coisas que vão acontecendo.
O P. parece que quer fazer estágio na cafetaria. Por ele, quando mais tempo passar em modo pausa, melhor. Esse vive o ERASMUS à grande, vai a festas todas as noites. Eu acho que ele faz muito bem em aproveitar mas depois tem imenso sono quando estamos no serviço e ontem adormeceu a ler uns artigos... Não me chateia isto! O que me irrita é que tem uma atitude profundamente preguiçosa, de estou-me nas tintas e, sempre que pode, escapa-se para o café e nem sequer vem ter com o resto do grupo para saber se é preciso ajuda, se estamos a fazer alguma coisa ou se, por acaso, também queremos ir descansar.
O B. tem a mania que sabe, não confia no que eu faço e está sempre a ir atrás confirmar e prefere sempre fazer tudo sozinho, deixando-me a olhar como se fosse uma atrasadinha que não sabe fazer as coisas. Hoje, por exemplo, estávamos a preparar uma medicação e havia um medicamento da lista que ele disse que não se colocava porque as enfermeiras já o tinham no piso do doente. Eu confiei. Passado um bocado vem uma farmacêutica dizer que faltava o tal medicamento e que, se estava na lista, tinha de se colocar com o resto das coisas. Nervos!

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