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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

# vinte e cinco - ERASMUS UAH

Ser estudante (estagiária) ERASMUS é, sobretudo, ser turista. É aproveitar que se está num país diferente e numa cidade nova, para se viajar o mais possível. Infelizmente, nesta Espanha imensa, as cidades que mais gostava de conhecer estão muito longe e fica muito caro ir até lá. De qualquer forma, é minha obrigação, antes de ir a Valência, a Toledo ou a Granada, visitar tudo o que tenho à porta de casa [e que é realmente bonito!] e saber mais sobre a Universidade que me está a acolher. Por isso, a convite do Y., meu colega de estágio, passei a tarde a passear por Alcalá.
Fomos ao Museu Casa Natal de Cervantes, pois aqui nasceu esse génio da literatura espanhola e internacional. Fomos ao Museu Arqueológico, à Catedral Magistral e depois tínhamos uma visita guiada à Universidade.
O P., outro colega de estágio, juntou-se a nós e à hora marcada lá estávamos nós os 3, um casal de turistas e a guia, prontos a iniciar a visita. Posso-vos dizer que, em geral, nunca participo em visitas guiadas. Por norma são coisas caras, os guias nem sequer falam português e é uma coisa à qual, para ser sincera, nunca dei o devido valor. Mas acho que depois desta... não vou desprezar mais nenhuma. ADOREI.
Começámos a visita pela fachada do edifício (século XVI), da qual eu já tenho umas quantas fotos e para a qual já olhei uma dezena de vezes. É realmente bonita, mas nunca achei tão bonita como hoje. Explicou-nos todos os desenhos, todos os símbolos, todos os significados que uma "simples" fachada pode ter. Imperdível!
Depois prosseguimos para os pátios [que são um sonho... podia casar-me aqui!] e depois para o Salão dos Actos, ou Paraninfo, que é o equivalente à Sala dos Capelos da UC. Linda, linda. Fiquei absolutamente impressionada com as histórias que a guia contou sobre a cerimónia de graduação dos estudantes. Para terem uma ideia, a graduação durava cerca de 3 dias e a prova era muito dura. De um lado do estudante, estava uma pessoa que lhe dava ânimo e força. Mas do outro lado, estava um oponente que TUDO fazia para o distrair: interromper o seu discurso, cantar ou mesmo apalpar-lhe o rabiosque. Assim como ao público, que basicamente podia ser toda a cidade, tudo era permitido: gritar, berrar, chorar, encenar uma peça de teatro, whatever. Foram muito poucos os que conseguiram "a glória" dentro daquela sala.
A visita prossegue para o Colégio Menor, onde os estudantes estudavam línguas e onde só se podia falar latim. Na época, quem fosse ouvido conversar noutra língua que não o latim, ia para a prisão académica...
Depois, e para finalizar, a guia leva-nos à Capela de San Ildefonso, onde está o túmulo do fundador da Universidade, Cardenal Francisco Cisneros. A decoração da capela é lindíssima, com as paredes esculpidas de forma espectacular.
No entanto, desconcentrei-me das paredes quando oiço a senhora do grupo a dizer "treze, quatorze, quinze... vê lá, são quinze símbolos que estão nesta parede!". Assim, em português de Portugal. Já me tinha parecido que o homem falava aportuguesado, mas pensei que fosse só um mau espanhol. Mas depois ouvi a mulher e tirei todas as dúvidas. Perguntei-lhes "Desculpem, os senhores são portugueses?". Eram de Lisboa, vejam que engraçado. Perguntaram porque estava aqui a estudar e, nas despedidas, desejaram-me sorte, felicidade e bom estágio. São assim os portugueses.

Casa Natal de Miguel de Cervantes

Pormenor de uma divisão da casa de Cervantes

Catedral Magistral de Alcalá de Henares

Fachada da Universidade de Alcalá de Henares (UAH)

Pátio dos Filósofos

Mais dois pátios da Universidade

Colunas da antiga Universidade que serviam de cerco à porta do edifício

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