Fiz. Faço. Farei.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Quem me dera escrever assim

"Saudades de trajar.Não é todo aquele que trajou que verdadeiramente tem saudade de trajar. Não. Essa saudade cabe só a alguns. Só sente e tem em si verdadeira saudade de trajar quem já trajou com amor.A saudade que dá bem forte, só a sente quem usou o traje um milhar de vezes, não por obrigação, mas por gosto. Essa saudade, só a sente quem usou capa e batina como uma segunda pele, quem usou desculpas do "porque sim" só para trajar, quem calcorreou milhas para lá do que os sapatos já podiam. Tudo por amor ao traje que envergavam.Só sabe o que é esta verdadeira saudade de trajar quem já usou a capa para se abrigar de uma noite fria, para abrigar uma alma quente, para aconchegar um pescoço ao som de uma serenata, para enxugar lágrimas de alegria, de amor, de tristeza, de saudade. Só sabe desta saudade quem usou a batina com maior amor que à camisola, quem leva o negro do traje como cor da alegria e da boémia, quem guardou em bolsos segredos e paixões, alguns confessos outros ainda omissões.Esta saudade que todos os dias nos lembra do peso da capa sobre os ombros, só a sente quem se enamorou e foi enamorado, quem um dia chegou e já partiu para outro lado.A saudade de trajar, verdadeiramente só a sente quem trajou com orgulho.Eu tenho saudades de trajar."
Por: Daniel Pardejo [tinha guardado nos rascunhos do blogue, já não sei onde encontrei]

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