Fiz. Faço. Farei.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

# dezasseis - ERASMUS UAH

Hoje o que eu tenho para vos contar sobre a minha experiência em Espanha são algumas comparações sobre os espanhóis e os portugueses.
Desde que estou aqui, concluí várias coisas [claro que isto são opiniões minhas, não são verdades absolutas e, além do mais, resultam de uma estadia muito curta, pelo que posso sair daqui a achar o oposto]:
- Os espanhóis são muito simpáticos! Tenho a certeza que já o escrevi aqui outras vezes mas não me canso de repetir. Pelo menos aqueles com quem me cruzei são uns amores. Por exemplo, quantos de vocês já entraram num autocarro com uma dúvida dirigida ao motorista e este vos "oferece" uma resposta arrogante e seca, como se vocês TIVESSEM QUE SABER aquilo que lhe perguntam? E na fila do supermercado, quantas meninas são mal-dispostas e parece que estão ali mais contrariadas que o Diabo? Pois que aqui, não sei se tenho tido sorte ou não, ainda só apanhei um homem realmente antipático, que é o velho da bilheteira dos comboios. Toda a gente percebe que não sou espanhola e quando digo que não entendo, as pessoas têm paciência e ajudam da forma que podem. Algumas já foram comigo ao sítio onde tinha que apanhar o autocarro, por exemplo. Esse anormal, depois de eu lhe dizer que não estava a perceber o que me dizia, responde-me "Então se não me percebes, como é que queres que te diga as coisas?!". Muito agradecida, sim?
- Acham que os portugueses se alimentam mal? Há quem ache, eu própria achava um bocado isso... Pois não queiram saber o que comem os espanhóis. É certo que eu não vivo com eles, se calhar não posso concluir coisas sem conhecimento de causa. Mas a julgar pelo supermercado, não podem ter a alimentação mais saudável desta vida. Ele é snacks de tudo e mais alguma coisa (pevides, milho, sementes, cereais, misturas, etc.), embalados e avulso. Ele é corredores gigantes com enlatados de atum [é de uma pessoa se perder em tanto atum!], de sardinha, de bonito, de tudo quanto é peixe e se pode enfiar numa lata. E por falar em enlatados, também os há de legumes. TODOS os que possam imaginar. O espaço que os espargos em conserva ocupam é de loucos. E as azeitonas, minha nossa, nunca vi tantos tipos e cores e tamanhos e formas! Há azeitonas vindas de Marte, de certeza! Em contrapartida, a zona da carne é bem pequena e tem mais embalados temperados e cheios de químicos do que outra coisa.
- As guerras de profissionais de saúde são uma coisa comum aos dois países. Lá na farmácia trabalham farmacêuticas, enfermeiras e auxiliares de enfermagem. No geral, eu gosto das pessoas e do ambiente e das tarefas que já fiz com elas, não tenho razão de queixa [tirando duas que têm a mania...]. Costumam receber-nos bem e são elas que nos têm ensinado a rever os medicamentos que saem para cada doente. De qualquer modo, sente-se que ali dentro há picardias entre quem é o quê. Num dos primeiros dias, a chefe que nos acompanhava disse logo mal de uma auxiliar, inclusive desconfiava duma contagem que a mulher tinha feito porque "enfim, é uma auxiliar e não é das melhores". As auxiliares, por sua vez, passam a vida a remorder os dentes perante a farmacêutica que nos está a seguir. Nota-se que trocam galhardetes umas com as outras, sussurram críticas entre elas, dizem mal dos estudantes [devem pensar que, por eu ser portuguesa, não percebo o que dizem!] e por aí.
- Aqui não há títulos. Esta deixei para o fim porque, bem sabem, o melhor fica sempre para o fim. Bem-dita seja esta gente que não se faz valer de títulos para ser alguma coisa!!! Não há cá Dra. isto, Dra. aquilo, a Sra. Dra. assim, a Sra. Enfermeira assado. É pelo nome e assim é que está bem. Não vale a pena explicar mais nada nem entrar em pormenores, certo? Tão bom.

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