Fiz. Faço. Farei.

segunda-feira, 24 de março de 2014

qualquer coisa entre o querer e o não querer

Às vezes apetece-me pôr as amarras para trás, isto é, esquecer os atritos e confusões do passado. Coisas que me disseram, coisas que me fizeram e que me magoaram muito. Atitudes de pessoas por quem dei e fiz muito e das quais não esperava nada parecido.
Hoje, certa de que o tempo realmente cura as tristezas, e com o distanciamento certo para poder analisar uma situação na qual me vi envolvida, sinto-me capaz de estar de novo com essas pessoas, esquecendo [ou pelo menos não lembrando] aquilo que nos afastou. É como se agora, passados tantos meses e tantas outras coisas, aquilo que aconteceu não interferisse em nada com o meu coração nem com o meu espírito.
Em tempos sim. Mexia comigo pensar no que aconteceu, sentia-me humilhada, usada e triste. Foram longos meses de exclusão de um grupo de pessoas a quem já não consigo chamar amigos, mas que era o que pensava serem. Na altura, apetecia-me ir pôr tudo em pratos limpos e ainda cheguei a tentar - em vão, pois eles nunca se mostraram interessados. Ficava irritada se falavam neles, ao ponto de isso me estragar o dia.
Hoje não. É igual se vejo ou sei coisas deles. São-me indiferentes no sentido em que não me alteram o dia, não me acrescentam ou subtraem nada. Não mexem comigo, a bem dizer.
É por isso que, de certa maneira, tenho alguma vontade em me reaproximar, em tentar uma possível reconciliação. Afinal de contas, nunca nos deixámos de falar, apenas nos deixámos de ver e de manter a proximidade que em tempos existia. Será que não nos podemos dar a outra oportunidade? Depois de tantos anos, e acreditando que ainda resta alguma coisa do que fomos, porque é que não?
Mas... e porque é que sim? A verdade é que me resta um bocadinho de orgulho que me faz retrair esta vontade de tentar. Há sempre um outro lado que me faz pensar em tudo, que me faz analisar a pessoa que sou sem eles e as pessoas que vejo que eles são e... acho que não tem sentido nenhum aproximar-me. Com tudo o que me contam outras pessoas, com tudo o que vou sabendo e vendo, é como se entre nós não houvesse rigorosamente nada que nos possa manter juntos. Sinto que já não temos nada em comum.
Se calhar, quando batem as saudades, não são saudades deles mas sim de momentos que passei com eles.... Tenho vontade em tentar mas não sei até que ponto eles estão dispostos a tal e se querem, realmente, manter viva a nossa amizade. Nunca me procuraram! Eu também não, é verdade. Mas eu fui posta de parte por eles. Fui colocada de lado e saí de jogo magoada e ferida - e isso foi visível e notório para eles todos. E nunca ninguém veio perguntar se eu precisava de alguma coisa.
Agora que estou bem, agora que sarei todas as feridas, quero entrar em cena outra vez porquê? Existe aquele medo de voltar a abrir o coração e depois sair mal da história. Por isso, provavelmente, vou ficar quieta. Vou deixar que, mais uma vez, o tempo, esse professor, me vá dando pistas e respostas. E o que for, será.

2 comentários:

Jude disse...

Não conheço as pessoas nem sei exactamente o que aconteceu, mas tu escreveste "São-me indiferentes no sentido em que não me alteram o dia, não me acrescentam ou subtraem nada. Não mexem comigo, a bem dizer."

E por tudo o que dizes acerca do que te contam, e das pessoas com que se dão, mais me parece que, ao tentares uma reaproximação, vais acabar por voltar aos sentimentos antigos...

Claro que estou a falar apenas com base no que escreveste e tu, melhor que ninguém, saberás o que fazer.

Pam disse...

Sim Jude, tens razão!
É disso que tenho medo. Ao tentar uma reaproximação (ainda que com a perfeita noção de que as coisas nunca serão iguais) posso correr o risco de voltar a sentir tudo o que senti. Mas, ao mesmo tempo, penso que posso dar uma oportunidade. Uma oportunidade a algo que existiu, foi bom e que, para grande tristeza minha, deixámos morrer. Sinto que o tempo me curou as feridas e, de algum modo, estou preparada para estar com eles sem prejuízo de me magoar com o que eles me fizerem - afinal, também não vou senti-los como os senti no passado. Ao mesmo tempo, não tenho total garantia disto mesmo e, como citaste, eles não me adiantem nada: neste momento sinto até que não temos nada a ver...
Assim sendo, fico na dúvida em relação ao que devo fazer.